Câncer de Ovário
Atualizado: 27 de set.
Câncer de Ovário: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
O câncer de ovário é um dos cânceres ginecológicos mais desafiadores de identificar cedo — e é também o mais letal entre eles, apesar de ser menos comum que o câncer de colo do útero. Entender como ele se manifesta, como é diagnosticado e quais são as opções de tratamento ajuda você a reconhecer sinais de alerta e a buscar avaliação especializada no momento certo.
O que é o câncer de ovário e quem ele afeta
O risco de uma mulher desenvolver câncer de ovário ao longo da vida é de aproximadamente 1 em cada 69. A maioria dos casos (cerca de 85%) começa no epitélio, a camada mais externa do ovário. A doença é rara antes dos 45 anos e se torna mais frequente a partir da menopausa, entre a sexta e a sétima década de vida.
O câncer de ovário pode ser hereditário?
Na maior parte dos casos (90%), o câncer de ovário surge de forma espontânea, sem relação genética. Mas em menos de 10% dos casos, ele está ligado à Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário, causada por mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. Mulheres com essa mutação têm risco elevado de desenvolver tanto câncer de mama quanto de ovário. O primeiro sinal de alerta costuma ser o histórico de câncer de mama ou ovário na família — por isso, contar essa história ao seu médico é importante.
Por que o câncer de ovário é difícil de detectar cedo
O câncer de ovário costuma crescer lentamente e, no início, quase não dá sinais. Quando os sintomas aparecem, costumam ser inespecíficos — o que atrasa o diagnóstico. Fique atenta a: dor abdominal difusa (que parece se espalhar por várias regiões da barriga), prisão de ventre, aumento do volume abdominal e desconforto digestivo persistente.
Hoje, os exames de rastreamento disponíveis — ultrassom pélvico e marcadores no sangue — ainda não são precisos o suficiente para detectar a doença de forma confiável antes dos sintomas aparecerem. Por isso, prestar atenção a sinais persistentes e procurar avaliação médica sem demora faz toda a diferença.
Uma informação que pode ajudar na prevenção: o uso de anticoncepcional oral por mais de 5 anos está associado a uma redução no risco de desenvolver a doença.
Tipos de tumores de ovário
Existem três tipos principais:
Tumores epiteliais — os mais comuns, originados nas células que revestem a superfície do ovário.
Tumores de células germinativas — originados nas células que produzem os óvulos.
Tumores estromais — originados nas células que produzem os hormônios femininos (estrogênio e progesterona).
A maioria dos tumores de ovário é benigna e não se espalha. Nesses casos, o tratamento costuma envolver a remoção do ovário afetado (ou apenas da parte com o tumor).
Como o câncer de ovário pode se espalhar
Quando o câncer de ovário avança, a principal forma de disseminação é pelo peritônio — a membrana que reveste os órgãos e a cavidade abdominal. Células cancerígenas podem se soltar do ovário, circular pelo líquido peritoneal e se implantar em outros pontos do abdômen, o que é chamado de carcinomatose peritoneal. É por isso que cerca de 75% dos casos de câncer epitelial de ovário só são descobertos numa fase já avançada, quando a doença já se espalhou pelo abdômen.
A doença também pode se espalhar por via linfática (para os gânglios da pelve) ou pela corrente sanguínea, atingindo outros órgãos.
Como é feito o diagnóstico
Nenhum exame isolado confirma o câncer de ovário — o diagnóstico combina exame físico, exames de imagem e, quando necessário, exames laboratoriais:
CA-125 (marcador tumoral): um exame de sangue que pode estar elevado no câncer de ovário, mas também em condições benignas (como endometriose e miomas), especialmente antes da menopausa. Está alterado em 85% dos casos avançados, mas em apenas metade dos casos iniciais — por isso não é usado sozinho para diagnóstico.
Ultrassom: geralmente o primeiro exame pedido diante da suspeita, ajuda a diferenciar um tumor de um simples cisto.
Tomografia de Abdome Total: mostra o tamanho e a localização do tumor e se há sinais de disseminação para linfonodos ou outros órgãos, embora tenha limitações para identificar implantes muito pequenos no peritônio.
Ressonância magnética de Abdome Total: complementa a tomografia com mais precisão para confirmar a origem ovariana da massa e detectar metástases pequenas no peritônio.
Tomografia de tórax: avalia os pulmões, já que o câncer de ovário avançado pode gerar metástases pulmonares.
PET-CT: um exame mais sensível para identificar se a doença se espalhou para linfonodos ou outras regiões do corpo, indicado em situações específicas.
Estadiamento — como se define o estágio da doença
O estadiamento inicial do câncer de ovário é feito por cirurgia videolaparoscópica, realizada por um cirurgião especializado em cirurgia oncológica do peritônio. O sistema usado para classificar o estágio é o TNM, que avalia três fatores: o tamanho do tumor (T), se há disseminação para os linfonodos (N) e se há metástases em outros órgãos (M). Esse estadiamento é o que orienta as decisões de tratamento.
Tratamento do câncer de ovário
O tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapia alvo — muitas vezes combinados. A escolha depende do estágio da doença, do estado geral de saúde da paciente e de considerações pessoais, como o desejo de ter filhos no futuro. Por isso, o acompanhamento costuma envolver uma equipe multidisciplinar: cirurgião, oncologista, radioterapeuta e, quando necessário, ginecologista, enfermagem, nutrição e psicologia.
Cirurgia
Quando a doença está em estágio inicial, restrita aos ovários e à pelve, a cirurgia remove o útero, os ovários, as trompas e o omento, além de biópsias do peritônio e retirada dos linfonodos da região — um procedimento que serve tanto para tratar quanto para confirmar o estadiamento.
Quando a doença já está avançada, com disseminação pela pelve e pelo abdômen, o objetivo passa a ser a citorredução ótima: remover o máximo possível da doença visível, para que, ao final da cirurgia, não reste nenhum foco identificável. Esse tipo de cirurgia é o que traz real chance de benefício para a paciente, mas pode exigir procedimentos extensos — incluindo a retirada de partes do intestino, do baço ou do próprio peritônio comprometido. Por isso, é essencial que ela seja realizada por um cirurgião com experiência específica em carcinomatose peritoneal. Saiba mais sobre o tratamento cirúrgico do câncer de ovário.
Quimioterapia
A grande maioria das pacientes recebe quimioterapia após a cirurgia — geralmente carboplatina e paclitaxel, em 6 ciclos com intervalo de 21 dias. Quando a doença está muito extensa no momento do diagnóstico e a citorredução cirúrgica não é possível de imediato, a paciente pode receber 3 ciclos de quimioterapia antes da cirurgia, para reduzir o volume da doença e possibilitar uma segunda cirurgia com melhores condições.






