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Câncer do Peritônio: Como Surge, Diagnóstico e Tratamento

26 de dez. de 2022
4 min de leitura

Atualizado: 27 de set.


Um câncer pode se espalhar pelo corpo por três vias principais: linfática, hematogênica (pela corrente sanguínea) e peritoneal.


Na disseminação linfática, as células tumorais migram até os linfonodos (gânglios) próximos ou distantes do órgão de origem, formando metástases linfáticas. Na disseminação hematogênica, as células viajam pela corrente sanguínea até outro órgão — mais comumente o fígado e o pulmão. Já na disseminação peritoneal, algumas células se soltam da superfície do tumor e se implantam em outras áreas do abdômen, na superfície das vísceras e na parte interna da parede abdominal — regiões revestidas pelo peritônio.


O peritônio é a membrana que reveste a parte interna da cavidade abdominal e recobre órgãos como o estômago e os intestinos. Essa camada é rica em vasos linfáticos, que funcionam como parte do sistema de defesa do corpo. Quando células tumorais se espalham por essa superfície, chamamos essa condição de carcinomatose peritoneal.



Tipos de carcinomatose peritoneal

A carcinomatose é classificada de acordo com a origem das células que se espalharam pelo peritônio — ou seja, de qual tumor elas surgiram. Existem dois tipos:


Primária: o câncer que começa no próprio peritônio é raro, afetando cerca de 4 a 5 pessoas em cada 100 mil. Pode se apresentar como mesotelioma peritoneal (um pouco mais comum) ou carcinoma primário do peritônio (mais raro).


Secundária: mais frequente, começa em outro órgão — geralmente intestino, apêndice, ovário, útero, estômago ou pâncreas — e depois se implanta no peritônio como metástase. É o que chamamos, mais precisamente, de metástases peritoneais. Um exemplo comum é o tumor mucinoso do apêndice cecal que, ao se espalhar pela cavidade, recebe o nome de Pseudomixoma Peritoneal.


Como se chega ao diagnóstico

Diante de um caso de metástases peritoneais, é preciso investigar onde a doença começou, já que a maioria dos casos é secundária — metástase de outro órgão. O especialista analisa idade, sexo, doenças prévias, exames de imagem, marcadores tumorais e outras informações para direcionar o raciocínio diagnóstico.


Quando não se identifica o foco inicial da doença, ou há suspeita de câncer primário do peritônio, é feita uma videolaparoscopia com biópsia — uma câmera introduzida pelo umbigo permite retirar fragmentos para análise. O patologista examina esse material e indica a provável origem do tumor, orientando o tratamento.


O ideal é que esse procedimento seja feito por um médico especializado em carcinomatose peritoneal: além da biópsia, é possível avaliar detalhadamente a cavidade abdominal — os locais de implante no peritônio e a quantidade de doença presente ajudam a decidir a conduta, como partir direto para a cirurgia, quais estruturas precisariam ser removidas, ou se o caso pede quimioterapia antes da cirurgia.

Esse é um procedimento minimamente invasivo, feito por pequenas incisões com uma microcâmera, o que permite recuperação mais rápida do que uma cirurgia aberta — e, consequentemente, início mais rápido da quimioterapia quando necessária.



Principais sintomas


O câncer de peritônio pode ser difícil de ser diagnosticado nos estágios iniciais da doença. Isso porque os sintomas não são claros, portanto difíceis de identificar. Quando os sintomas ocorrem claramente, muitas vezes é um sinal de que a doença progrediu. Muitos dos sintomas acontecem devido ao acúmulo de líquido (ascite) no abdômen.


Os sintomas da doença podem incluir dor abdominal, massa abdominal, aumento da circunferência abdominal, distensão do abdômen, ascite (líquido livre no abdômen), febre, perda de peso, fadiga, anemia e distúrbios digestivos.


Principais sintomas

O câncer de peritônio pode ser difícil de identificar nos estágios iniciais, porque os sintomas costumam ser pouco claros. Quando se manifestam de forma evidente, muitas vezes já indicam que a doença progrediu — boa parte dos sintomas está ligada ao acúmulo de líquido no abdômen (ascite).

Os sinais mais comuns incluem dor abdominal, massa palpável, aumento da circunferência ou distensão do abdômen, ascite, febre, perda de peso, fadiga, anemia e alterações digestivas.


Tratamento

O tratamento combina, principalmente, cirurgia e quimioterapia:

A cirurgia citorredutora remove toda a doença visível — podendo incluir, conforme o caso, ovários, trompas, útero e outros tecidos ou órgãos comprometidos. A quimioterapia, aplicada na veia antes e/ou depois da cirurgia, ataca as células tumorais.

O tratamento varia conforme a origem da carcinomatose, o estado de saúde do paciente e o tempo entre o início da doença e o diagnóstico. A cirurgia é uma das possibilidades, avaliada caso a caso — e, na carcinomatose peritoneal, pode ser uma cirurgia de alta complexidade, comparável a um transplante de órgãos.

O tratamento padrão é a combinação da cirurgia citorredutora com a quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC): remove-se todo o peritônio doente e, se necessário, outros órgãos comprometidos, seguido da aplicação da quimioterapia aquecida diretamente na cavidade. Em alguns casos, porém, a indicação é apenas da cirurgia citorredutora, sem a HIPEC.

Aqui, cada caso é acompanhado com escuta atenta e cuidado individualizado, em cada etapa do tratamento.

Agende sua consulta para entender o melhor caminho de tratamento para o seu caso.


carcinomatose peritoneal, HIPEC

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