O que é a HIPEC?
Atualizado: há 22 horas
HIPEC: o que é e como funciona
HIPEC é a sigla, em inglês, para Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica. O termo em inglês é tão consagrado na literatura médica que continua sendo usado dessa forma mesmo em português.
Por que a quimioterapia comum não é suficiente
Quando a quimioterapia é aplicada na veia, ela chega em baixa concentração dentro do abdômen — insuficiente para eliminar a doença que ainda resta ali após a cirurgia. Aumentar a dose para compensar isso não é uma opção segura: a quantidade necessária para tratar a doença no peritônio ultrapassaria o limite tóxico para o restante do corpo. Some-se a isso a dificuldade do medicamento em penetrar no próprio tumor, e fica claro por que a cirurgia — reduzindo a doença ao mínimo possível — é o passo essencial antes de qualquer tratamento químico local funcionar de verdade.
Como funciona a HIPEC
Mesmo depois de uma cirurgia de citorredução completa, que remove toda a doença visível a olho nu, é comum restarem células cancerígenas microscópicas na cavidade abdominal. É aí que entra a HIPEC: uma solução com quimioterápico, aquecida a 42ºC, circula pelo abdômen por 30 a 90 minutos (o tempo varia conforme o medicamento usado), banhando toda a superfície do peritônio.
O calor cumpre um papel importante — ele torna a membrana das células cancerígenas mais permeável, facilitando a entrada do medicamento e tornando essas células mais sensíveis ao tratamento. O resultado é uma concentração do quimioterápico na região muito maior do que se conseguiria pela veia, com bem menos efeitos tóxicos para o resto do corpo.
Na prática, tudo acontece no mesmo procedimento: primeiro a cirurgia remove os implantes visíveis, depois a HIPEC trata o que ficou em nível microscópico — buscando eliminar a doença por completo em uma única intervenção.

Para quais tumores a HIPEC é indicada
Em 2017, o Conselho Federal de Medicina reconheceu a citorredução combinada à HIPEC como o tratamento de escolha para metástases peritoneais de tumores mucinosos do apêndice cecal (associados ao Pseudomixoma Peritoneal) e do Mesotelioma Peritoneal.
Há também benefício potencial em casos selecionados de câncer de ovário, e estudos recentes — ainda não publicados — apontam para resultados promissores em casos selecionados de câncer colorretal. Já as metástases peritoneais originadas no estômago só são tratadas com essa técnica em situações excepcionais e muito bem avaliadas.
Quem pode ser candidato ao tratamento
A seleção do paciente é uma etapa cuidadosa. É preciso estar em condições clínicas e nutricionais adequadas, sem doenças graves associadas, e passar por uma avaliação cardiológica detalhada — tudo isso para reduzir o risco de complicações e aumentar as chances de um bom resultado.
O critério que define a indicação também varia por tipo de tumor: no câncer colorretal, o que mais pesa é a extensão da doença no abdômen, medida pelo Índice de Carcinomatose Peritoneal. Já no pseudomixoma peritoneal e no câncer de ovário, o fator decisivo é a possibilidade de realizar uma citorredução completa.
Os resultados
A grande vantagem dessa combinação de tratamentos é o ganho de sobrevida em comparação com abordagens tradicionais. Esse benefício varia conforme o tipo de tumor e sua extensão, mas o ganho em sobrevida para os pacientes tratados é consistente.
Um tratamento que exige uma equipe altamente especializada
Esse é um procedimento complexo, que envolve a remoção de múltiplos órgãos afetados na pelve e no abdômen superior — por isso exige um cirurgião com formação específica em oncologia complexa, além de uma equipe multidisciplinar dedicada: anestesiologistas, intensivistas, especialistas em controle da dor, nutricionistas e outros profissionais preparados para os desafios desse tipo de cirurgia.
No pós-operatório, é comum a necessidade de cuidados intensivos, muitas vezes em UTI, com enfermagem especializada para lidar com as alterações do organismo após a HIPEC. Por isso, esse tratamento deve ser feito em centros com uma linha de cuidado dedicada a esse perfil de paciente.

Aqui, cada caso é acompanhado com escuta atenta e cuidado individualizado, em cada etapa do tratamento.
Agende sua consulta para saber se a citorredução com HIPEC é indicada para o seu caso.
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